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19-11-07 - Quão Cristã é a "Inspiração Cristã" de J. K. Rowling na série de livros Harry Potter?

harrypotter.jpgPor Marcia Montenegro
Especial para ASSIST News Service

ARLINGTON, VA (ANS) -- J. K. Rowling declarou recentemente que “inspiração Cristã” teve parte nos escritos da série de livros Harry Potter.

O que quer que J. K. Rowling possa dizer sobre inspiração para os seus livros, o verdadeiro juízo dos livros jaz no que eles apresentam.

Eu não duvido da sinceridade de J. K. Rowling, mas se tivesse sido o Cristianismo autêntico que a inspirou, ela teria criado uma criança heroína que pratica artes ocultas que são claramente condenadas pela Palavra de Deus? Harry e os amigos lançam feitiços, têm uma aula sobre Adivinhação, comunicam com os mortos, e aprendem a misturar poções mágicas. De facto, eles estão na escola para aguçar as suas práticas de ocultismo.

A sra. Rowling tem falado da sua luta professa com a questão da vida depois da morte, e como isso se reflecte nos livros. Ela relacionou isto com a sua fé Cristã. Apesar de ser verdade que a crença na vida depois da morte é muito parte do Cristianismo, a visão da vida depois da morte também é acreditada por muitas religiões não-cristãs como o Islão, o Hinduísmo, as crenças Nova Era, e algumas crenças Neo-Pagãs.

O que não é parte do Cristianismo Bíblico é como Harry e os outros comunicam com os mortos. Os espíritos em Hogwarts não são apenas simbólicos, mas representam pessoas reais que morreram. Moaning Myrtle, um espírito que mora na casa de banho das raparigas, era de alguém que tinha morrido, e ela descreve morbidamente como alguém encontrou o seu corpo: “E então ela viu o meu corpo ... ooooh, ela não se esqueceu até do dia da morte, certifiquei-me disso ... segui-a e lembrei-lhe disso”.

No seu primeiro livro, Harry vê os seus pais mortos num espelho e eles acenam-lhe. Apesar dos adultos poderem distinguir isto como fantasia, as crianças que lêem tomam-no literalmente. No último livro, “Harry Potter e os Talismãs da Morte”, a comunicação com os mortos é mesmo um tema mais vincado. Apesar de Harry aparentemente hesitar entre a vida e a morte depois de ferido, ele vai para um lugar tranquilo onde encontra Dumbledore, que lhe dá alguma informação crucial, factos que Harry não poderia ter recebido de outro modo. Harry também encontra os seus pais mortos e vários companheiros falecidos durante este interlúdio.

Na nossa cultura, temos erradamente aceite os espíritos como ficção “amigável” ou humor. Isto tem-nos tirado de tal forma a sensibilidade dos mandamentos de Deus contra o contacto com os espíritos e a comunicação com os mortos (Deuteronómio 18: 10-11; Is. 8:19), que substituímos ficção por verdade ou subestimamos a ideia da crença em espíritos. As crianças ficam muitas vezes confundidas acerca dos espíritos e se pessoas reais deambulam por aí depois de morrer. Segundo a Bíblia, a tentativa de contactar os mortos é errada; no entanto estes livros promovem o ponto de vista de que pode ser uma coisa boa.

Rowling referiu-se a citações bíblicas em lápides no último livro.  Mas colocar citações da Bíblia em lápides mão torna um livro Cristão, especialmente quando a maior parte do livro não é consistente com as crenças do Cristianismo histórico.
Uma citação, como, “Onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”, não diz aos leitores nada, a menos que estes conheçam o contexto Bíblico. Harry, de facto, não a compreende.

A citação da lápide para os pais de Harry, “o último inimigo que há-de ser aniquilado é a morte”, apenas é cheia de significado no contexto Bíblico. E nenhuma referência Bíblica é dada para qualquer das citações. Ironicamente esta citação é inconsistente com as mensagens nos livros de que a morte é uma coisa boa. No primeiro livro Dumbledore diz a Harry que para “uma mente bem organizada, a morte é a grande aventura seguinte”. O último livro, através de várias pessoas, diz aos leitores que a morte é um “velho amigo”, é “mais fácil do que adormecer”, e que há coisas “piores do que a morte”, Mas do ponto de vista Cristão, a morte é o resultado da entrada do pecado no mundo, e é um inimigo a ser banido por Cristo.

Eu estive envolvida no oculto durante muitos anos antes de me tornar Cristã; o oculto existe realmente. Estas coisas, nos livros de Harry Potter, como a adivinhação, a astrologia, os amuletos, a comunicação com os (supostos) mortos, e o lançamento de feitiços são praticadas por pessoas reais. Mais, os livros que explicam como fazer estas coisas enchem cada vez mais as prateleiras das nossas livrarias.

Quando é que os Cristãos adultos acordam e se apercebem de quão impregnantes os conceitos e ideias do ocultismo estão a ser empacotados e comercializados para os jovens hoje? Harry Potter só torna estas actividades mais apelativas.



(Antes de se tornar Cristã, Marcia Montenegro era uma astróloga profissional que ensinou astrologia durante vários anos. Antes disso esteve envolvida com práticas Orientais e da Nova Era).

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